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Inferno da boca




Bárbara Lúcia não dorme enquanto seu sonho não acorda. A redação está cheia de moscas e o ventilador faz um barulhinho enjoaaaado. Vomita e repete várias vezes detestar as cores pastéis... Da próxima vez jura lantejoulas na gola do uniforme.
Vê no branco olhar da alma penada nº0 que já apagaram as suas luzes. Joga bolinhas de papel no lixo incansavelmente e vai para escola...
O quadro se escreve: bala ou bola? Não enxerga bem, vive em fundos de garrafa! Escreve no papel de pão: Pirulito!Pirulito!Pirulito! Não dá mais para descer e queria mesmo é padaria. Aprendeu amarrar os cadarços sozinha e não se lembra sequer de quaisquer instruções parnasianas ou animalescas.

Um intervalo lhe traz algum acontecimento ou talvez a ínfima ação duns dedos de prosa. Saboreia a possibilidade... Precisa ir ao banheiro e também precisa do tempo. Encontra alma penada nº00 e percebe que já nem se ouve sequer o barulho da descarga. Repetidamente a água escorre pela porcelana no previsível caminho da consciência: a merda? Fato: os dedos já não servem mais para contar palavras. Botões e dedos, descargas.  

                                      ***

Em entrega a maquininha de café, Bárbara Lúcia seduz-se pelo açúcar em fundilhos de xícara. Uma viciada desde menina... Não satisfeita, produz o tenro casamento: açúcar e adoçante!Aproveita em cada centímetro língua . Alma penada nº 0 desencarna/abismada, comenta: “compete toda doçura?”. A xícara toma o lugar de nariz e perto dos olhos, Lúcia algo grotesca responde: “cá, arrisque-se você mesma”. Provoca a alma nº 0: “ e se já te provo...”. Escorre o látex escondido nas profundezas das almas. As línguas ardem em chama e dentes afiados comungam com a boca a louca sintonia da palavra. Mas, os músculos se resguardaram,  expelirão o veneno dos olhos...

Um silêncio foi sentido no alto das bocas, no inferno das bocas. 

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